Carnaval por todos os lados

Festa vai celebrar o crescimento do setor turístico e aquecer as cidades para a Copa do

Mundo. Expectativa do Nordeste é receber 1,6 milhão de turistas

O som do frevo embala o passo dos foliões em Pernambuco. Na Bahia é o axé que arrasta a

multidão atrás dos trios elétricos que iniciou com Dodô e Osmar. As muriçocas do Miramar

desfilam na principal avenida da capital paraibana e o Corso do Zé Pereira anima quem está na

capital do Piauí. Desde o Nordeste do Sul baiano até o Norte do Maranhão não faltam festas

carnavalescas.

Neste ano, a maior festa popular do Brasil vai atrair 1,6 milhão de turistas para a região

Nordeste. Esse público deve se concentrar nos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco. Isso

significa um acréscimo de R$ 1,55 bilhão na economia da região. Os dados fazem parte de

um levantamento do Ministério do Turismo realizado nas principais cidades brasileiras que

celebram o Carnaval.

No Brasil, espera-se cerca de 6,4 milhões de turistas e R$ 6,1 bilhões devem ser injetados

na economia. O aumento de arrecadação se deve não só ao ganho de competitividade

dos principais destinos turísticos do país, como Salvador e Recife, segundo o Índice de

Competitividade do Turismo Nacional, como também ao ganho de visibilidade do país com os

grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016. “O Carnaval deste ano vai

celebrar o crescimento do setor e aquecer os turistas para a Copa do Mundo”, disse o ministro

Gastão Vieira. O acréscimo na economia do turismo, maior que nos últimos anos, ficará entre

5% e 6%, de acordo com a projeção.

No ano passado, São Paulo foi o que mais recebeu turistas durante o período momesco,

seguido pelo Ceará. Em terceiro lugar ficaram empatados a Paraíba e o Rio Grande do Norte.

Do exterior, a cidade do Recife (PE) recebeu um total de 8% dos turistas.

Ainda segundo o MTur, o Carnaval de Pernambuco é o que mais deve atrair turistas na região.

De acordo com os dados, espera-se que 850 mil pessoas visitem as cidades de Recife, Olinda,

Porto de Galinhas e Cabo de Santo Agostinho. A movimentação econômica estimada é de R$

787 milhões. Em seguida vem a Bahia. Estão previstos 690 mil visitantes para as cidades de

Salvador, Trancoso, Costa do Sauípe e Arraial d´ajuda e um movimento de R$ 639 milhões.

Box

Este ano 20 cidades brasileiras submeteram projetos para a captação de incentivos federais

para a realização de festas carnavalescas, dentre elas, seis são nordestinas. O Recife já teve

o seu projeto aprovado e recebeu R$ 2,6 milhões de verba. A previsão é que na primeira

quinzena de fevereiro saia o resultado das demais cidades contempladas.

Recife investe em divulgação

Conhecido por ter o maior bloco de arrasto do mundo (o Galo da Madrugada), o frevo do

Recife Antigo e as ladeiras de Olinda, o Carnaval de Pernambuco é grandioso em cultura, mas

também em números. Apenas para o desfile do Galo, são esperadas este ano 1,5 milhão de

pessoas. Em 2013 essa diversidade cultural rendeu R$ 773 milhões em investimentos. Para

2013 a expectativa é que esse volume suba para R$ 1 bilhão.

O presidente da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), André Correia, explica que a

rede hoteleira na região metropolitana deve ficar com mais de 90% de ocupação no período.

Em todo o estado, do litoral ao Sertão, serão 12 polos descentralizados de festa. “Em alguns

lugares a ocupação será de 100%. Mas afora isso muita gente aluga um imóvel, se hospeda

na casa de parentes ou amigos. Temos um índice de satisfação de 95% das pessoas que vêm

conhecer o nosso Carnaval”, destaca.

Ainda segundo André, pelo menos 45% das pessoas que vêm conhecer a festa é por

recomendação e 90% dos visitantes são brasileiros, sendo que metade deles oriundos da

própria região Nordeste, principalmente da Bahia.

Para o Carnaval 2014, Recife (PE) recebeu do Ministério do Turismo R$ 2,6 milhões para

o Carnaval. Com o aporte, a festa vem sendo divulgada em oito destinos nacionais: Rio de

Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte e

Paraíba. Segundo o secretário de Turismo e Lazer do Recife, Felipe Carreras, a divulgação vai

ajudar na captação de mais turistas para o Recife.

No ano passado, a capital pernambucana recebeu um total de 718 mil visitantes, gerando uma

movimentação econômica de R$ 603 milhões. No ano anterior, o incremento gerado foi de R$

595 milhões e 710 mil pessoas visitaram a capital. O gasto médio individual diário do turista

passou de R$ 478 em 2012 para R$ 485 no ano passado. Já o excursionista, aquele que não se

hospeda (passa o dia), gastou R$ 177.

Em termos de hospedagem, a ocupação hoteleira ficou em 95% durante o período de

Carnaval. A permanência média dos turistas no Recife foi de 7,9 dias. Dentro do universo de

turistas, 36% vieram de outros estados nordestinos e 37% das demais regiões brasileiras.

Bahia injeta R$ 55 milhões na festa

O Carnaval de Salvador (BA) dará um lucro de R$ 10 milhões. É a primeira vez que a festa

gera receitas para a cidade, de acordo com a Prefeitura Municipal. Além dos investimentos

públicos, o setor privado gastará R$ 10 milhões, totalizando a quantia bruta de R$ 55 milhões.

“Pela primeira vez conseguimos que um Carnaval gere lucro para o município, com saldo

positivo de R$ 10 milhões. Lembrando que até o final do ano passado o Carnaval exigia

investimentos de quase R$ 20 milhões da prefeitura. A economia desse dinheiro significa

mais investimentos para infraestrutura, saúde, educação, transporte público e para reforçar a

agenda de eventos da cidade”, explica o prefeito Antônio Carlos Magalhães Neto.

Este ano, o evento acontece entre os dias 27 de fevereiro a 4 de março, com o tema “É

Diferente, É Carnaval de Salvador – 40 anos de Blocos Afro”. São três circuitos: Campo Grande

(Centro), Barra (principal) e Pelourinho. Conhecido por ser um carnaval de blocos e camarotes

luxuosos, mas também da “pipoca”, a festa tem números exorbitantes. São 26 km a serem

percorridos pelos trios, um fluxo de 526 mil turistas, a maior parte entre 25 e 34 anos, que

ficam pelo menos sete dias na cidade, em casas de amigos, hotéis, pousadas, flats, albergues

e até em navios. Cada um desses turistas gasta em média R$ 2 mil. Mas a festa baiana não

se restringe apenas a capital. São muitas as opções para quem quer curtir outras cidades do

estado. Muitas delas mantém a tradição, com bandinhas, fanfarras e desfile de fantasias e

máscaras.

Na Paraíba, a folia é nas prévias

A Paraíba confirma sua tradição de prévias carnavalescas. A semana que antecede a folia de

momo reúne mais de 50 blocos espalhados por todos os bairros de João Pessoa, capital do

estado. O maior deles é o Muriçocas do Miramar. Estima-se que um público superior a um

milhão de pessoas participe da folia de rua deste ano, com expectativa de receita de R$ 4,2

milhões.

Nos dias de Carnaval, no entanto, o que faz os hotéis ficarem com 100% de ocupação é a

busca por sossego. “O turista vem para João Pessoa em busca de paz ou para passear com a

família. Essa é a nossa característica. Já a prévia está consolidada há quase 30 anos”, comenta

a presidente da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), Ruth Avelino.

Ela diz que em algumas cidades do Sertão e em praias como Bahia da Traição, Lucena e

Jacumã o fluxo de pessoas também é grande, sendo a maioria do próprio estado ou de estados

vizinhos. “No Carnaval, temos uma ótima ocupação hoteleira, seja na capital, em cidades do

brejo, como Bananeiras e Areia, ou no Sertão, como Patos, Cajazeiras e Souza”.

Cada turista injeta na economia paraibana uma média de R$ 150/dia, segundo Ruth. A

expectativa é que pelo menos 100 mil pessoas visitem o estado neste Carnaval. “Isso deve

injetar R$ 60 milhões na economia local”. No ano passado, a Paraíba ficou em terceiro lugar

empatado com o Rio Grande do Norte entre os que mais receberam turistas no período.

RN mantém tradição

Com tradição no Carnaval de rua, o Rio Grande do Norte espera que os turistas injetem R$ 150

milhões na economia local, durante todo o mês de março. Em 2013, no período que se realizou

a festa momesca, foram 470 mil turistas, sendo 20 mil estrangeiros. A expectativa é que esse

número cresça, pois o estado foi cenário recentemente de uma novela e é uma das sedes da

Copa do Mundo, o que dá maior visibilidade.

O secretário estadual de Turismo, George Lima, disse que a capital tem investido para

recuperar aquele que já foi o terceiro maior Carnaval de rua do país. “Grandes shows nacionais

estão programados, como Alceu Valença, Mart’inália, Jorge Aragão e Spok Orquestra de Frevo,

além dos valores locais, a exemplo da cantora Khrystal”, afirma.

Em Natal, a tradição de blocos de rua ganha peso, sobretudo, no Carnaval da Redinha, com

blocos e troças que arrastam milhares de pessoas. No interior potiguar, a festa também

mantém sua chama acesa em Mossoró, Macau, Caicó e nas praias de Parnamirim (Pirangi e

Barreta).

A capital do Piauí vai contar com 18 dias de festa. De acordo com o prefeito de Teresina,

Firmino Filho, o roteiro da festa contará com desfile de blocos carnavalescos e de escolas de

sambas, Corso do Zé Pereira e show populares. O tradicional desfile dos blocos vai acontecer

no domingo (2). Já o desfile das escolas de samba, que retornou este ano, acontece na terça-
feira (4). Os shows populares acontecerão nas quatro noites de Carnaval.

Praças, clubes, trios elétricos. O carnaval no Piauí é bem eclético, segundo afirma o secretário

de Turismo do estado, Marco Bona. “Temos uma ênfase maior no Carnaval tradicional, aquele

de rua, promovido pelas prefeituras, com apoio do Governo do Estado. As cidades com maior

agitação são as quatro que formam nosso litoral: Ilha Grande, Parnaíba, Luiz Correia e Cajueiro

de Praia”.

Ele disse ainda que na capital Teresina a prefeitura está tentando resgatar os desfiles de

pequenas escolas de samba, que aconteciam nas ruas. “Não temos essa tradição de escolas de

samba, nossas festas são feitas na rua, com animação de trio elétrico ou mesmo em praças e

clubes das cidades. Mas nosso forte é o Corso de Teresina, que é considerado pelo Guinness

Book o maior do mundo”, ressaltou.

Ceará deve atrair 140 mil turistas

O Ceará deve atrair para sua economia R$ 128 milhões nas cidades de Fortaleza, Aquiraz,

Jericoacoara e Aracati e atrair 140 mil pessoas durante este Carnaval. Em Fortaleza, as

festividades ocorrem especialmente na Praia de Iracema, com apresentações de Maracatu; na

Avenida Domingos Olímpios, onde desfilam os blocos carnavalescos; e na Praça do Ferreira,

local conhecido por celebrar os pré-carnavais.

A festa também começa antes dos quatro dias oficiais de folia. Nos quatro sábados que

antecedem o Carnaval, 60 blocos desfilam desde a paria de Iracema até o Aterrinho, onde

acontecem os shows de encerramento. Já nos dias de momo serão 75 blocos nas ruas da

capital cearense. O mela-mela segue a tradição da festa. Enquanto dançam ao som de axé,

samba, swingueira e até forró, as pessoas sujam umas as outras com spray de espuma, amido

ou goma.

Alagoas

Em Alagoas, além da capital se destacam os carnavais de Barra de São Miguel, Ripueira, São

Miguel dos Milagres, Murici, São José da Lage e Atalaia. No entanto, o forte do estado é a

prévia carnavalesca o Pinto da Madrugada, que desfila no sábado pela manhã. O bloco reúne,

todos os anos, aproximadamente 100 mil foliões, puxados por 15 orquestras de frevo e artistas

locais. O pinto é um “afilhado” do tradicional Galo da Madrugada do Recife.

Sergipe

Em Sergipe, a festa tem início em Janeiro, com o Pré-caju, uma folia fora de época aos moldes

do Carnaval baiano, que atrai turistas, mas também diverte os sergipanos. No interior do

estado tem festa com o Rei Momo e com a rainha do Carnaval. O governo busca estimular a

cultura, o turismo e a economia com focos de folia em todo o estado.

Maranhão

O único estado nordestino que deve ficar fora do calendário momesco este ano é o Maranhão.

Isso se deve ao recente problema no sistema penitenciário

O estado que teve ocupação hoteleira de 55% em 2013 e esperava aumentar em 10% para

2014, ainda não fez definições sobre a festa, por causa dos problemas que enfrenta com o

sistema penitenciário.

Colaboraçao –  Rivânia Queiroz

Fotos – Divulgaçao