O que viabiliza o diálogo psicanalítico é a abertura á transferência. Analista e analizante estão mergulhados na transferência. No caso do analista dizemos contra-transferência, mas o de que se trata é, especificamente, da transferência. Transferência tem haver com catexia, ligação de energia psíquica, representante representativo pulsional que exige descarga. Esta descarga sempre é dada pela mediação do objeto, mesmo na sublimação. (psicanalista funciona como este objeto possibilitador de descarga).

Da fala (no diálogo psicanalítico):

Analizante – sua fala é a associação livre, pois ao se excluir a razão como ordenadora, a fala se amarra ás leis essenciais do INCS. (ex: o que é contemporâneo no tempo também, o é em lugar de origem).

Analista – escuta com atenção

Igualmente distribuída (ALFEREBUNG).

É a contra partida da associação livre.

Atenção igualmente distribuída significa não privilegiar nenhuma fala. Todas são igualmente importantes.

Privilegiar alguma fala significaria seqüestrar ao paciente sem sentido, atribuindo-lhe a importância (sentido) do analista.

A fala do analista é a interpretação, (a rigor podemos dizer que o homem sempre interpreta, na medida que real é sempre, subjetivamente capturado e o que se apresenta a cada um é a realidade). Realidade igual à captura fantasmática do real.

O que garante a especificidade da fala do analista é a técnica. O analista decide da significação da fala, na medida que ocupa o lugar de testemunha, lugar do simbólico.

O silencio pontua a fala e é importante por ser a possibilidade do desdobrar da palavra

“Ça parle” (isso fala – ICS)

Este é o modelo conceitual e estrutural da práxis psicanalítica. Qualquer alteração constitui-se trabalho terapêutico, mas não mais psicanálise. A psicanálise implica na suspensão do diagnóstico, pois o de que se trata é do acesso á individualidade do sujeito do INCS. Cada caso é um caso. Não a possibilidade de generalizar em psicanálise que visa a desalienação do sujeito de si.

O que Freud propõe é a “cura”, que se dá na transferência como a emergência de uma nova significação  de todos os sintomas.

È o desvelar do sujeito para si mesmo.

A transferência é a relação mesma da “cura” e o tempo da psicanálise.

A transferência tem como pivô a cultura, o simbólico, neste lugar (setting) representado pelo psicanalista e lugar onde se constituía a significação.

(BEDEUTUNG). O psicanalista se oferece como objeto por onde a energia pulsional se descarrega (ou analista igual resto diurno) já agora revestida de significação sem a contaminação fantasmática. Por isso dizemos ser a psicanálise um processo de resignificação, onde se coloca no tribunal da razão aquilo que foi introjetado subliminarmente, no processo de subjetivação.

Ao ter acesso á significação (para si), ao ter acesso á palavra o sujeito aprende a sentido do sintoma, que então se desvanece e revela o próprio desejo.

Assim temos:

Inter-dito

SINTOMA          ou

Mal-dito (2 sentidos)

Ausência de sintoma acesso ao desejo e ao prazer.      Dito (bem-dito nos 2 sentidos)

Tudo que pode ser dito e compreendido não é sintoma.

Desta maneira podemos dizer que a psicanálise trans-forma (no sentido de ultrapassar uma forma) o pré-texto em texto.

Na psicanálise

a-     Demanda do sujeito – quem sou eu;

b-     Demanda do analista – escutar o que nada quer dizer, estando seguro de que isto sempre vai querer dizer alguma coisa. Certeza de que o INCS associa (rede de representantes substitutivos)