Hoje em dia, muitos buscam a fórmula do sucesso, entretanto, ser famoso é bem mais fácil do que se imagina e requer pouquíssimos esforços, afinal de contas, não é necessário nenhum talento ou aptidão especial. Basta apenas, ter uma ideia sem sentido (ou como se diz aqui no Brasil: “sem noção”) na cabeça, uma câmera, uma conta no Youtube, muita “cara de pau” e alguns “amigos” para ajudarem a compartilhar na rede, sua “obra prima” recém defecada. Lembre-se também, que atualmente a capacidade de compreensão e de divertimento se restringem apenas às frases monossilábicas e desconexas, aos requebrados de quadris e aos malabarismos e remelexos das partes íntimas enquanto simulam de forma vigorosa e exibicionista um coito sexual. Por fim, não esqueça que quanto mais absurda e de mal gosto for sua exibição, mais ela será divulgada e imitada pela maioria, pois perdeu-se definitivamente o senso do ridículo.

Viu só como é simples! Siga essas instruções e num piscar de olhos você se tornará uma referência, um ícone, uma personalidade pública, aclamada, idolatrada e seguida por milhões de acéfalos, que passarão a replicar e a reproduzir entusiástica e compulsivamente, “ad nauseam”, sua escatológica performance…

Mas, apesar da facilidade em galgar os píncaros da glória, é necessário fazer um alerta de extrema importância… Não se entusiasme demais… Não deixe o sucesso lhe subir à cabeça, afinal de contas, tudo na vida tem prazo de validade, ou melhor, tem começo, meio e fim e muito provavelmente, sua fama se extinguirá com a mesma velocidade que surgiu… Entretanto, caso você se torne um dependente do assédio descontrolado dos fãs, da fama e de todo o “prestígio” e “admiração” que ela lhe proporcionou ao longo do curto (efêmero e fugaz) período em que foi um “pop star de primeiríssima grandeza”, seja “criativo” e recomece o processo criando algo ainda pior… Sim, é isso mesmo que você leu… Faça algo ainda pior, porque se tiver a pretensão de fazer alguma coisa mais elaborada, ou mais sofisticada, certamente não irá emplacar novamente no Top Ten das paradas populares, pois as pessoas não estão aptas e muito menos dispostas a seguirem um “pseudo intelectual abstrato”. Elas buscam coisas simples, de fácil assimilação e desprovida de qualquer nexo. Algo que as exima do “árduo trabalho” e da “pesada responsabilidade” do raciocínio.

Desta forma, quanto mais “grudenta” for a melodia, quanto mais absurda for a mensagem e quanto mais chocante forem as imagens, mais poder de contaminação (viral) ela proporciona. Aliás, já que o assunto veio à tona, somente após presenciar esses “fenômenos” é que passei a entender o real significado da expressão “viral”, afinal de contas, tais manifestações, só podem ser derivadas de uma doença, de uma epidemia, ou melhor, de uma pandemia, onde o vírus disseminando é mais letal do que qualquer outro que a ciência já tenha descoberto, ou noticiado. Estou me referindo ao vírus da insanidade social que fatalmente extinguirá com a raça humana num futuro não muito distante.

Creio que esta é a única explicação plausível diante da catástrofe moral e intelectual que estamos presenciando, afinal, quem em sã consciência consegue explicar os motivos que levam populações inteiras a apreciar e incorporar atitudes e hábitos tão “nonsenses”, quanto os temos visto ultimamente, onde literalmente qualquer coisa, por pior que seja, é digna de milhões de “likes” e de compartilhamentos virtuais, transformando seus atores e autores em celebridades planetárias numa velocidade espantosa, como nunca antes vista?

Apesar das facilidades de acesso e da avalanche de informações a que somos submetidos todos os dias, percebo que o senso comum está se tornando cada vez mais burro, o senso crítico cada vez mais raro e o cidadão cada vez mais fútil. Definitivamente, informação não é sinônimo de cultura, pois estamos replicando pessoas preocupadas apenas com a forma e esquecem que para serem alguém, também necessitam do conteúdo.

Infelizmente estamos vivenciando um processo estratégico e perverso de minimalismo moral e cultural, orquestrado por instituições escusas, em que as pessoas são incentivadas a todo instante a pensarem e agirem como “retardadas”, tal e qual acontece no filme IDIOCRACIA, que ironiza e satiriza os efeitos nocivos da constante e ininterrupta disseminação dos besteiróis veiculados pelos canais midiáticos, causando-lhes tanto mal, que a população não conseguia mais raciocinar direito, tornando-se incapaz de formular pensamentos elaborados e de fazer cálculos um pouco mais complexos. Foram transformados em meros analfabetos funcionais, doutrinados por um sistema corrupto, injusto, inconsequente e acima de tudo, consumista.

Apesar do exagero e do apelo ficcional, a narrativa e os personagens surreais (dignos da imaginação singular de Kafka e de Pirandello) muito se assemelham à realidade que estamos vivendo, pois o sistema atual parece estar materializando as conhecidas obras dos visionários Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo), George Orwell (1984 e A Revolução dos Bichos) e Anthony Burguess (Laranja Mecânica) e se transformando num mundo sem princípios, sem ideologias e o que é pior, sem esperança, ao proporcionar regalias aos mais desprovidos de talento e de caráter, onde os merecedores, os favorecidos e os recompensados fazem parte da patota dominante e não mais dos seres educados, talentosos, dedicados e obstinados, como acontecia anteriormente.

Os valores estão se invertendo. Vivemos numa época em que ser honesto é desvio de caráter. É como disse certa vez, Caetano Veloso em uma de suas músicas: “- Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial!”

Concluindo este raciocínio, esta não é uma verdade absoluta, mas sim, uma absoluta verdade que me enoja, cada vez que paro para refletir sobre isso…

Ao me despedir, aproveito para deixar registrada aqui, a pergunta que não quer calar: “- Que mundo estamos deixando como herança para nossos descendentes? Talvez a resposta pouco importe, mas pelo menos estou fazendo a minha parte ao desabafar, como o fiz agora… E para não perder a piada, quem compartilha das minhas ideias, dá um “like” aí, pois quero me tornar uma referência entre os indignados e inconformados de plantão!