Conceituação básica. Em psicanálise é fundamental a clareza conceitual que possibilita o estabelecimento de um código comum entre os pares, a fim de estabelecer-se uma troca exitosa e um diálogo eficaz.Vamos iniciar este artigo considerando o conceito que pode ser usado em três sentidos:
ciência
<em id=”__mceDel”> técnica terapêutica
teoria da constituição do sujeito humano.</em>
Psicanálise é uma ciência, não no sentido escolástico, mas em sua definição, por ter corpo teórico técnico sistematizado em torno de um objeto formal o inconsciente.
Como toda teoria a psicanálise é um construtor. Tem um primeiro momento que a estabelece a clínica e um segundo a teoria que podemos dizer ser a sistematização da práxis clínica. A teoria é um referencial para se pensar psicanaliticamente e, a clínica o espaço da descoberta e da possibilidade de evolução. É o lugar do surgimento do novo, visto seu objeto formal da psicanálise seu o inconsciente, inconsciente é o lugar específico do inacabado o homem é sempre um devis (um vir a ser.) O importante para o psicanalista, em sua prática, é conceitualizar a práxis, mas não enquadrá-la em um corpo teórico. O sujeito particular não pode, enquanto impar, ser capturado pela teoria.
A psicanálise no sentido de seu fundador se alicerça no objeto Inconsciente (teórico) e se atualiza (é colocado em ato) no diálogo psicanalítico.
Parte de uma idéia inicial uni já aí o ICS enquanto rede de significação a partir de onde se funda a demanda do sujeito (desse específico) e sua expressão. Sabemos que toda expressão é precedida por uma impressão. Freud, com esta posição, afirma não gratuidade no ato humano (sentido do sintoma) do definir o sujeito humano como, de fato, sujeito do ICS, portanto para sempre sujeitado. (ser de cultural).
A constituição do sujeito humano, em seu processo de individuação se dá em 2 momentos:
1º momento – alienação absoluta no olhar do outro. Este olhar que, ao mesmo tempo em que o constitui (ao sujeito) o aprisiona (sujeita).
O que pré-supõe um outro – um não eu – que o reconheça e nomeia. Já vamos percebendo assim, com clareza, que o humano é um ser de relação, portanto, um ser de (da) cultura. Dito de outra forma: o objeto está aí, desde sempre, dado, a espera do sujeito a quem aprisiona (sujeito-identificação-fantasmas).
2° momento – retorno do olhar do sujeito a si. Este retorno é sempre contaminado, ou sempre retem um resto da ordem da alienação inicial no olhar do outro. Neste espaço – tempo de retorno impregnado, se inscreve a psicanálise, cuja práxis pretende a descontaminação.
Psicanálise, portanto, é um método de “cura”, como processo de desalienação do sujeito de si mesmo, ou re-ligação. ( Ele foi 1° alienado no olhar do outro.)
Exorciza o sujeito do aprisionamento fundante no fantasma (resto do olhar do outro).
Fantasma fundante ou primordial é a matriz dos fantasmas. Indica que o sujeito se viveu como objeto para satisfazer a demanda ou desejo do outro. Aqui podemos colocar a importância da análise do analista: somente depois da travessia do fantasma inicial se pode fazer a escolha pelo lugar do analista, que tem haver com o próprio desejo. Atravessar o fantasma inicial é se libertar da imposição do desejo do outro, como espaço de reconhecimento subjetivo. Daí podemos também concluir da impossibilidade ou inadequação de te falar de “análise didática”; pois o compromisso de travessia do fantasma não pode ser dado como garantia antecipada.
Com isso define-se com clareza o que é mais importante na formação de um psicanalista: é a própria análise que propicia ao sujeito uma estruturação desalienada de um desconhecimento inicial, que enseja o acesso á própria subjetividade – ao desejo próprio.
Por isso dizemos psicanálise é um processo terapêutico, não no sentido normativo, mas no sentido de abertura à liberdade e reconhecimento do próprio desejo. Daí ser a psicanálise revolucionária; conduz o homem á liberdade de fato.  Liberdade do fatalismo determinante, quase condenatório que o constitui em seu 1° momento de individualização e o torna cativo e escravo de uma historicidade desconhecida (ICS)
A psicanálise, ou a práxis psicanalítica é , a rigor, um diálogo. Diálogo com uma estrutura própria que o particulariza. Técnica específica, referenciada a um corpo teórico definido.
No próximo artigo falaremos sobre Diálogo Psicanalítico.